O impacto da crise no mercado da música

Escrito por em 29 de maio de 2020

Diversos mercados estão prejudicados devido à pandemia. Enquanto alguns setores da indústria e comércio conseguem continuar o trabalho com as medidas de segurança, outros sentem fortemente o impacto, como o da música.

A Warner Music, terceira maior gravadora do mundo e lar de artistas como Cardi B, Ed Sheeran e Bruno Mars, registrou um prejuízo líquido de U$ 74 milhões no segundo trimestre, encerrado em 31 de março, em comparação com um lucro de U$ 67 milhões no ano anterior. A dívida da empresa totaliza U$ 2,98 bilhões.

Demissões

Uma pesquisa recente da Abrape (Associação Brasileira dos Promotores de Eventos), diz que mais da metade dos eventos culturais previstos para este ano (51,9%) foi cancelada, adiada ou está em situação incerta por causa da pandemia do coronavírus. Segundo o estudo, se considerado todo o setor cultural, cerca de 580 mil profissionais podem ficar desempregados devido às medidas de segurança adotadas nos estados para prevenir que a doença se espalhe.

O impacto é muito grande, explica Bianca Amante, cantora e compositora. “O que a gente faz é baseado no olho no olho, no contato, em juntar pessoas. Muitas vezes nós somos a razão da união das pessoas, que se reúnem para ir a um show. Voltei para o Brasil este ano. Estava em turnê pela Argentina e depois fui para Bolívia. Logo que cheguei ao Brasil, começou a quarentena e tudo parou”.

De acordo com Jeff Sabbag, músico há 37 anos e proprietário do Dizzy Café Concerto, os artistas estão sofrendo muito. “Eu nunca parei. Toquei quando meus pais faleceram, no meu aniversário, Natal e nunca faltou trabalho para os músicos dedicados e com talento. Agora todos estão parados e desamparados”.

 Ajuda

Nesse momento, é importante os artistas usarem o máximo da sua criatividade e suas possibilidades de trabalho para ampliarem as atividades ou buscarem alternativas para este momento.

O músico, compositor e produtor cultural Glauco Sölter conta que a internet está sendo vital para os músicos venderem seus trabalhos. “Tenho uma turma de alunos online. Depois de muito tempo voltei a dar aulas. Eestou vendendo pela internet outros produtos como um CD, um DVD e um livro”.

Outra ajuda são os editais emergenciais. A Câmara dos Deputados aprovou o Projeto de Lei Aldir Blanc, que prevê R$ 3 bilhões ao setor cultural, enquanto estiverem em vigor as medidas de distanciamento social. O Projeto de Lei aguarda a tramitação no Senado Federal.

Sölter reforça que essas medidas são uteis. “Existem vários editais, assim como ações da iniciativa privada. O Festival UP é um exemplo. Os músicos precisam ficar ligados nas ações que estão acontecendo”, sugere.

Nova rotina

As lives se tornaram rotina no mundo da música, ajudam na divulgação do trabalho e podem render, como comenta Bianca Amante. “Todas as quartas-feiras faço uma live. Abri uma caixa de contribuição online e espero monetizar”.

Todos acreditam que vai demorar para tudo voltar ao normal, pois o público vai ter medo de frequentar os shows e casas noturnas. Sölter acredita que será uma volta com mudanças. “Máscara, pequenos públicos, distanciamento, novos formatos de apresentação serão o novo normal se houver a reabertura de locais como teatros e casas de shows”.

Jeff acredita que apenas em 2021, as coisas irão começar a melhorar. “A gente vai voltar ao normal, mas vai demorar”.

Já Mateus Basso, coordenador do curso de DJ do Centro Europeu, ressalta que é difícil saber o que vai acontecer. “Muita água vai rolar antes de liberarem aglomerações. Acredito que as pessoas serão testadas antes de entrarem nas festas para ter certeza que não tem nenhum infectado. Na China, as pessoas têm em seus status no celular – com corona e sem corona”.

Fonte/aerp.org.br

Foto/Roberto Carlos


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