“TITÃS” E A DURA REALIDADE DA VIDA ADULTA

Escrito por em 13 de fevereiro de 2020

A segunda temporada da série Titãs (2019) foi disponibilizada na plataforma de streaming Netflix no início de janeiro de 2020 e, embora a “hype” (como diria um dos meus sobrinhos) tenha passado, creio que um dos grandes temas abordados pela produção seja sempre relevante ser pautado: a dura transição da adolescência para a vida adulta.

            O grupo Titãs, também conhecidos como Novos Titãs ou Teen Titans, é formado majoritariamente por personagens adolescentes ou por heróis em início de carreira. Originalmente, no final da década de 1960, sua primeira composição continha as versões jovens de seus parceiros mais experientes: Robin, Moça-Maravilha, Kid Flash, Arsenal (parceiro do Arqueiro Verde) e Aqualad (parceiro de Aquaman). Era a “Liga da Justiça só para baixinhos sem o Superman”, se me permitem o trocadilho infame. Mas, por que a DC Comics iria criar uma equipe que emularia seu principal produto? Encontraremos a resposta naquele menino prodígio que celebrará 80 anos em 2020: nosso querido Robin.

            As histórias do Batman estavam se tornando cada vez mais densas e os editores resolveram que era necessário reconectar com um público mais infantil. Para isso, criaram o personagem Dick Grayson, que passaria pelo mesmo trauma de perder os pais e necessitaria dos cuidados de um mentor, tal qual havia ocorrido com Bruce Wayne. Logo, a relação entre os dois seria mais próxima de pai e filho, sendo este a projeção das inúmeras crianças leitoras das histórias que sonhariam serem adotadas pelo Homem-Morcego e realizarem a fantasia infantil de combater o crime com golpes de karatê e andar no Batmóvel. O Robin representaria, então, a criança leitora que realizou seu desejo de estar ao lado do ídolo.

            A ideia deu tão certo que foi replicada para praticamente todos os outros grandes personagens da DC, com exceção do Superman, que esteve envolvido em uma longa disputa judicial (mas isso é uma outra história). Assim, os Titãs tinham como missão editorial serem a leitura de entrada para um público mais novo antes de ingressarem nas missões mais complexas da Liga da Justiça. Entretanto, assim como não é naturalmente possível permanecer para sempre na adolescência, nas Histórias em Quadrinhos é possível adiar, mas não por muito tempo.

            Conforme as linhas editoriais foram buscando a atualização com a sociedade e renovando suas narrativas, Titãs também sofreu modificações e promoveu o crescimento pessoal de seus personagens à base de dor e sacrifício, tal qual a série retratou na segunda temporada. A consciência de que a adolescência acabou e a vida adulta reserva responsabilidades para as quais quase ninguém está preparado tem um peso significativo na formação do caráter. Um dos momentos simbólicos é a mudança de Robin para Asa Noturna, no qual o uniforme colorido é substituído por uma roupa negra e soturna. O fã descobre que seu ídolo não é perfeito e deve construir seu próprio caminho ao invés de seguir os passos de seu mentor.

            O processo ressignificação da vida é um ciclo constante e ininterrupto, mas seu primeiro momento mais impactante é, certamente, no fim da adolescência. A segunda temporada trata dos reflexos dessa fase com bastante amargura, tendo Dick Grayson no centro como o ponto de intersecção entre a geração de um grupo aflito e traumatizado com o peso da vida adulta (Moça Maravilha, Columba, Rapina) e a esperança de uma nova leva que ainda está se descobrindo (Ravena e Mutano).  E o que devemos fazer? Aceitar? Lutar? Aproveitar? Sofrer? Viver…


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