“AMAR TALVEZ SEJA ISSO: DESCOBRIR O QUE O OUTRO FALA MESMO QUANDO ELE NÃO DIZ…”

Escrito por em 24 de abril de 2019

Em resumo, “amar talvez seja isso: descobrir o que o outro fala mesmo quando ele não diz…” (Padre Fábio de Melo)

Uma pessoa jamais se sentirá plena se amar só um pouco, pela metade, se não se entregar completamente. Repare que é completamente, não insanamente. Há quem confunda e ache que amor é feito de qualquer jeito, entre tapas e beijos, às vezes mais “tapas” que beijos. Sinceramente, isso não tem cara de amor, é falta de sossego. E se não se tem paz, não dá pra amar. Brigar desgasta, dá desgosto. Fujamos de afetos assim.

Amor tem que ter constância. E consistência. Ama-se todos os dias, mesmo que o dia não seja o melhor. O amor fica impresso no silêncio, no respeito ao espaço e tempo do outro, na companhia para o descanso e na esperança de que o outro dia seja melhor.

O amor não precisa ser falado, embora seja gostoso ouvir um “eu te amo” da pessoa amada. Isso não tem preço e é um prazer absurdo. Mas ele está muito mais no toque, na forma de falar e no jeito de olhar. Amor é mais sensação que palavras ditas.

Não pode afirmar que ama, alguém que não demostre alegria em falar dos seus sentimentos. Mesmo que o tempo de convivência seja longo, um mínimo de afeto precisa ser demonstrado. É bonito quando alguém inclui o nome do outro em uma conversa qualquer. Inconscientemente, deseja que a pessoa amada se faça presente, ainda que o assunto seja corriqueiro. São coisinhas como: “fulano também é assim…,” fulana gosta muito disso…”. Dá gosto de ouvir, soa como uma prova dos 9 do amor que aquela pessoa vive.

Amor é lembrar dos produtos preferidos ao cumprir a lista do supermercado; é andar de mãos dadas na rua; é trocar metade de um filme por beijos e abraços; dividir um lanche e um copo de suco e saber que o verdadeiro banquete está na companhia.

É saudade boa na ausência e tranquilidade na presença. Se os sentimentos acontecem ao inverso, há algo de errado. Se há mais cabeça baixa que brilho nos olhos, também é sinal de alerta. Se o abraço trocado não tem mais calor, a chama se apagou e talvez já faça tempo.

O amor precisa ser forjado, não vem de mão beijada nem é feito apenas de rosas. Não é perfeito, nem feito apenas de momentos felizes ou incríveis. Amor também é abrir mão, é conversa difícil e divergência. É desacordo que precisa terminar em acordo, em pedido de desculpas e em promessas de fazer melhor da próxima vez.

Só experimentou um amor verdadeiro quem pode fazer dele o seu significado de reciprocidade. Só o amor devolvido na mesma moeda traz felicidade completa.
Bem lá no fundo, se há intimidade a ponto de um abraço dispensar qualquer palavra, seguramente é amor. Em resumo, “amar talvez seja isso: descobrir o que o outro fala mesmo quando ele não diz…”

(Padre Fábio de Melo)

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